sexta-feira, 26 de junho de 2009

Helena Kolody

Pinte estrelas no muro
e terá o céu
ao alcance das mãos

Palavras são pássaros.
Voaram!
Não nos pertencem mais.

Quando passo por diante dos teus olhos,
Falando com a fingida animação,
oculto na folhagem das palavras
A flor do coração.
Disfarço o meu amor, e assim torturo e piso
O próprio coração, sem remorsos e sem pena,
Para que não lacere o gume do teu riso.
Quero esmagá-lo eu mesma, orgulhosa e serena.


Meus olhos estão olhando
De muito longe, de muito longe.
Das infinitas distâncias
Dos abismos inferiores.
Meus olhos estão a olhar do extremo longínqüo
Para você que está distante de mim.
Se eu estendesse a mão, tocaria sua face.
Mas os cinco dedos pendem como um lírio murcho
Ao longo do vestido.
Aqui tudo é leve, silêncioso, indefinido,
imóvel.
Não tenho mais limites.
Tornei-me fluida como o ar.
Seus olhos tem apelos magnéticos,
mas estou abismada
Em profundezas infinitas

arco-íris no céu.
está sorrindo o menino
que há pouco chorou

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